
Começar uma série deste naipe, dissertando sobre craques que já vestiram o manto sagrado do Criciúma Esporte Clube, parecia uma missão complicada e delicada para as atuais circunstâncias do glorioso tricolor.
Não porque hoje não tem ninguém no elenco que a torcida do Tigre possa chamar de craque (o que é verdade), mas porque tenho plena certeza que não existe ainda “o grande ídolo” da história do Criciúma. É só conversar com os “tricoloucos” (loucos pelo nosso tricolor), que você perceberá um padrão: Jamais terá 50% de respostas para somente um jogador.
Mas começo esta série escolhendo um volante que fez parte do timasso campeão da Copa do Brasil em 1991, saiu do clube ainda na década de 90 e voltou para treinar o time há 2 anos atrás: Roberto Fernando Schneiger, mais conhecido como Roberto Cavalo.
Cavalo nasceu em 13 de abril de 1963 em Carazinho, no Rio Grande do Sul, mas pode dizer que é cidadão de Criciúma (SC), haja vista ter estabelecido residência e família na cidade. É casado com a advogada Zulmara Vilaça Manique Barreto Schneiger, neta de Argemiro Manique Barreto, ex prefeito de Criciúma e ex presidente do Conselho Deliberativo do Criciúma. Juntos, tiveram uma filha, também nascida na cidade.
Roberto Cavalo já foi capa da Veja. E você?
Um dos volante mais famosos que o Criciúma já teve veio do Atlético Paranaense em 1989, naquele time que era então dirigido por Sérgio Lopes, e integrando a máquina que foi tricampeã Catarinense (89-90-91), sempre como titular absoluto do meio campo.
Em 1991, nem preciso dizer o que aconteceu, não é? Com um time formado inteiramente por jogadores que marcaram seus nomes na história do Criciúma, Roberto Cavalo sagrou-se campeão da Copa do Brasil, participando da campanha com 1 gol marcado contra o Atlético Mineiro, no estádio Independência, em Minas Gerais.
Por causa de sua garra em campo, muitas vezes livrou o Criciúma com seus desarmes eficientes. Mesmo que isto possa ter um efeito colateral:
“BOM DIA ! É com muita satisfação que entro em contato com vocês pois no ano de 1991 fui campeão pelo juniores do laguna lec , e logo em seguida fui para o cricíuma mas não tive muita sorte pois no primeira coletivo como titular o meia roberto cavalo me deu uma entrada forte me tirando por completo do futebol , mais sinto saudades e gostaria de obter uma camisa oficial do clube ,em breve estarei ai , fui conhecido ai como paulistinha , e joguei com o emerson almeida, o lateral flávio , o zagueiro vagner que era do rio entre tantos por favor me respondam será uma satisfação ; um abração julinho.”
Mensagem (sem correção ortográfica, obviamente) enviada por Júlio César dos Santos para o site Tigrelog (clique para ver), ex jogador de futebol… Por causa de um coice.
Mas nem só de vigor nas pernas adversárias marcou o nome de Roberto Fernando Schneiger. Sua especialidade era a forte e certeira cobrança de falta, que lhe rendeu o apelido que lhe acompanharia para o resto de sua vida – A porrada na bola era tão forte que chegava a ser… Cavalo!

Golaço de falta em 1993, pelo Vitória. Polêmico, mas o juiz validou.
Foi no Vitória que Roberto continuou sua vitoriosa carreira como jogador de futebol. Em 1993, sagrou-se vice campeão brasileiro num plantel que tinha Dida, Paulo Isidoro, Alex Alves e outros. O time baiano somente perdeu o título porque do outro lado havia o histórico time palmeirense, com Evair, Rivaldo, Edmundo, Roberto Carlos, César Sampaio e companhia, treinados pelo Vanderlei Luxemburgo.
Ainda em 1994, participou da montagem da equipe do Botafogo, num time que tinha Wagner; Perivaldo, André, Wilson Gottardo e Eduardo; Marcio, Fabiano; Túlio e Sérgio Manoel; além do seu companheiro de equipe de 1991 no Tigre, o meio-campo Grizzo. No ano seguinte (1995), este mesmo time, mas agora sem Cavalo e sem Grizzo, foi campeão brasileiro em cima do Santos.

Que isso, Cavalo? Tira essa a mão daí, homem!
Nos últimos anos de sua vitoriosa carreira como jogador de futebol, Roberto Cavalo resolveu avacalhar e foi jogar no Avaí.
Vendo que sobrava futebol no meio daquele bando de pernetas, virou técnico, e comandou o time da ilha ao maior título que um clube de Florianópolis já venceu: O Avaí foi campeão da terceira divisão do Campeonato Brasileiro, colocando uma enorme estrela em cima do símbolo para mostrar seu orgulho de vencer título de tamanha expressão.
Mas a carreira de técnico teve altos e baixos, e depois deste ótimo início como treinador, não se pode dizer que sua carreira estava sedimentada. Em 2005, Cavalo treinou o Náutico, e foi o antagonista da “Batalha dos Aflitos”.
O jogo histórico no Recife, que terminou em 1 a zero para o Grêmio, ficou marcado para sempre como uma das maiores surpresas que o futebol pode mostrar aos seus fãs. Aos 35 minutos do segundo tempo, o Grêmio teve um pênalti contra e 4 (quatro) jogadores expulsos, após muitos minutos de confusão. Tudo dava certo para o time pernambucano, que se com 0 x 0 já se classificava para a Série A, com o esperado gol do pênalti sacramentaria uma campanha vitoriosa na segunda divisão daquele ano. O resto, todos sabem.
Esquecido e desvalorizado após o episódio, o Criciúma Esporte Clube reabriu as portas para um dos seus mais famosos afilhados e, em 2007, contratou Roberto Cavalo para treinar aquele polêmico plantel.

Roberto Cavalo orgulhosamente mostra o manto sagrado. A camisa foi rifada.
Também não deu certo. Porém, assim como a “Batalha dos Aflitos”, não foi por sua causa que o time não engrenou; existem muito mais coisas que nossa vã filosofia possa supor.
Mas, entender porque um volante que rodou o Brasil e o mundo preferiu se estabelecer em Criciúma, a poucos metros do estádio Heriberto Hülse, só faz sentido quando se compreende que este jogador foi um dos maiores ídolos da história do Criciúma Esporte Clube. E por isto mesmo merece ser o primeiro destaque da série “Grandes craques do Tigre”.




















Belíssimo texto, Sakae. Parabéns. E que relíquia esta Veja Santa Catarina!
Apesar da passagem ruim como técnico, não há dúvidas que o Cavalo é um ídolo da torcida tricolor. Um cara que sempre respeitou a camisa desse clube e procurou de todas as formas fazer o melhor dentro das convicções dele.
Além da admiração e carinho pelo clube, outro forte motivo para ele fixar raízes por aqui é a esposa Zulmara Manique Barreto, vale ressaltar.
Postado em 31 agosto 2009 às 19:12
Não tinha visto que já havias postado no Twitter sobre a Zulmara. hehe
Postado em 31 agosto 2009 às 19:15
Nem no Twitter nem no quarto parágrafo do texto, hehehehe…
Postado em 31 agosto 2009 às 20:06
Eu tenho essa revista, muito show… raridade!!!!
Postado em 20 setembro 2009 às 14:52